domingo, 20 de novembro de 2011

Licurgo Nakasu. PRESENTE

Aos antigos dirigentes, militantes e simpatizantes da organização de esquerda Ação Popular,

Hoje , dia 19 de novembro, às 12,15 hs, na capela dos Dominicanos, na rua Caiubi 164, em Perdizes, na capital-paulista, acontecerá a missa de sétimo dia de Licurgo Nakasu.
Imagino que os Dominicanos foram escolhidos pela família por conta da origem cristã da organização de esquerda Ação Popular, da qual Licurgo foi militante.
Visitei Licurgo duas vezes nas semanas em que esteve internado no hospital Beneficência Portuguesa, onde fez, pelo SUS, tratamento de quimioterapia e radioterapia contra o câncer no esôfago, e posteriormente uma cirurgia para retirada do órgão.
Embora Licurgo estivesse bem e, segundo os médicos que o operaram, a cirurgia tenha sido um sucesso, ele terminou morrendo com infecção generalizada provocada ou por problemas pós operatório ou por causa de infecção hospitalar. Não sei ao certo.
O fato é que para as filhas, filhos, netos, esposa, ex-esposa, antigos e novos companheiros, a morte de Licurgo pesa muito, pesa mais do que uma montanha.
Licurgo é um dos personagens, entre centenas de outros, do livro que estou terminando de escrever sobre Ação Popular e baseado principalmente na história documental.
Portanto, ele sabia que a sua trajetória política estava inserida no contexto da história da AP, da história do Brasil e das organizações de esquerda que enfrentaram ditadura militar.
Por isso, nesse momento de dor é importante resgatar o que escreveu o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht no seu poema Aos que Virão Depois de Nós e dizer principalmente para as filhas, filhos e netos que
Licurgo e seus camaradas chegaram às cidades num momento de desordem, quando aqui a fome reinava.
Vieram para o meio do povo, quando imperava a revolta e cresceram com ela.
E assim passou-se o tempo que lhes foi concedido nesta terra.
Mas vocês, Carminha, Maria, os outros filhos e netos de Licurgo, que renasceram do dilúvio no qual ele e seus camaradas se afogaram, lembrem também, quando falarem das suas fraquezas, da sombria época que escaparam.
Licurgo e seus camaradas mudavam de lugar mais do que sapatos, por meio da luta de classes, escondidos, num tempo em que havia apenas injustiça e não protesto.
Ainda assim, Licurgo sabia que o ódio, mesmo contra a degradação, contorce as feições e que a ira, mesmo contra a tirania, deixa a voz áspera.
E ele e seus amigos que tanta lutaram para preparar o chão da amizade não puderam eles mesmo ser amigos.
Mas vocês, filhas, filhos e netos, quando tudo estiver tão perfeito em que o homem ajude o homem, lembrem de tudo isso quando falarem de Licurgo e de seus camaradas.
Um abraço a todos,
Otto Filgueiras

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