segunda-feira, 7 de maio de 2012

BRASIL NUNCA MAIS

Palavra Etica com Betinho Duarte - Tortura nunca mais - Comissão da Verdade - 21/08/2011


Sob a coordenação de Delze dos Santos Laureano, nesse Programa Palavra Ética, da TV Comunitária de Belo Horizonte -- TVC/BH -, Betinho Duarte, ex-vereador de Belo Horizonte, milante histórico na luta contra a ditadura, na defesa dos Direitos Humanos, faz retrospectiva da sua luta, analisa a luta contra a tortura e fala da Comissão da Verdade. Belo Horizonte, MG, Brasil, 21/08/2011.

domingo, 6 de maio de 2012

ELEIÇÕES NA FRANÇA 06 de maio 2012

Hollande, do Partido Socialista, foi eleito neste domingo presidente da República da França. Hollande derrotou Sarkozy no segundo turno das eleições presidenciais com 51,9 % dos votos, contra 48,1 %, segundo as estimativas feitas pelo instituto Ipsos para o jornal Le Monde", a France Télévision e a Radio France a partir dos primeiros boletins de apuração.



Depois de François Mitterrand, em 1981 e em 1988, François Hollande é o segundo presidente socialista da Quinta República francesa, fundada em 1958.


Os demais institutos deram resultados semelhantes : TNS Sofres (52% para Hollande) ; Ifop (52,7%) ; Harris (52,1%) e CSA (51,8%).


Multidões se reúnem diante da sede do PS, no tradicional Bairro Latino e na histórica Praça da Batilha, onde manifestam entusiasmo pela vitória dos socialistas. A derrota de Sarkozy é vista pelas principais forças de esquerda, entre elas o Partido Comunista, agrupadas na Frente de Esquerda, como um passo importante para inicar o enfrentamento às políticas neoliberais e conservadoras que levaram a França à beira do abismo.


O presidente derrotado Nicolas Sarkozy admitiu a derrota dizendo que agora voltará a ser "um francês entre os franceses... sabendo que a vida é feita de sucessos e derrotas".


Manuel Valls, um dos dirigentes do Partido Socialista, disse estar emocionado com a vitória de Hollande. Para ele, a partir de agora a tarefa será "ardente e magnífica".

quinta-feira, 3 de maio de 2012

DIA NACIONAL PELA MEMÓRIA, A VERDADE E A JUSTIÇA!

Caro companheiro



Indignado com as revelações do torturador CLÁUDIO GUERRA (MEMÓRIAS DE UMA GUERRA SUJA)("MILITANTES DE ESQUERDA FORAM INCINERADOS EM USINA DE AÇÚCAR") participei do ato ,hoje, dia 03 de outubro. Há anos venho lutando por justiça e continuarei até que todos os torturadores , ditadores e assassinos sejam julgados ,condenados e de preferência morram nas cadeias. Caso isso não aconteça uma das sugestões é criarmos tribunais populares para julgar esses bandidos.
"QUEM ESQUECE O PASSADO ESTÁ CONDENADO A REPETI-LO" Leon Bloy
Abraços
BETINHO DUARTE
 Belo Horizonte, 3 de maio de 2012
DIA NACIONAL PELA MEMÓRIA, A VERDADE E A JUSTIÇA!
PELA MUDANÇA DO NOME DA RUA LUIZ SOARES DA ROCHA!
CHEGA DE HOMENAGENS A TORTURADORES E ASSASSINOS DE PRESOS POLÍTICOS!
Caros moradores e moradoras da
Rua Luiz Soares da Rocha,
Vocês sabiam que esta avenida tem o nome de um torturador e assassino de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985) Luiz Soares da Rocha foi Superintendente de Polícia do Estado de Minas Gerais, em 1969-1970. Atuou, então, como chefe de equipe de tortura na Delegacia de Furtos e Roubos - um dos principais centros de tortura da ditadura militar em Belo Horizonte. Este senhor é também o patrono da principal comenda da Polícia Civil - Medalha Luiz Soares da rocha. Vários cidadãos belorizontinos já a receberam. será que todos eles sabem que foram agraciados com uma medalha que honra um torturador contumaz?
O nome do Sr. Luiz Soares da Rocha aparece cinco vezes na página 33 do Tomo II Vol. 3 Os Funcionários do Projeto Brasil Nunca Mais, publicado pela Arquidiocese de São Paulo, em 1985. Este volume nomeia 444 torturadores denunciados em juízo por presos políticos cujos processos chegaram à instância do Superior Tribunal Militar. Outros três volumes do Projeto Brasil Nunca Mais, intitulados As torturas (Tomo V, vol. 1,2 e 3) compilam os documentos do Superior Tribunal Militar que contêm as denúncias dos presos políticos.
Reproduzimos aqui alguns trechos que se referem à atuação de Luiz Soares da Rocha:


. Depoimento de Afonso Celso Lana Leite, auto de qualificação e interrogatório (1970) - Tomo V, vol. 1 A tortura, p. 184: "...que os interrogatórios dos acusados, inclusive, os do interrogado, foram feitos sob as torturas mais atrozes, ocasionando a morte de dois companheiros seus: João Lucas Alves e Viana Calu: (...) na Furtos e Roubos, os torturadores eram, sob orientação do Dr. Luiz Soares, Saraiva, Pereira e outros; que os acusados foram submetidos a: paus-de-arara, choques elétricos; principalmente, na Furtos e Roubos e no Dops, foram terrivelmente espancados (...)."
. Depoimento de Angelo Pezzuti da Silva, auto de qualificação e interrogatório (1969) - Tomo V, vol. 2 A tortura, p. 310: "(...) que, na Delegacia de Furtos e Roubos, o interrogado foi torturado, com outros companheiros, sendo para tanto utilizado o pau-de-arara, os choques elétricos e a hidráulica de cabeça para baixo, tem introduzido na sua narina e tamponada a boca um tubo pelo qual se destila a água que tal processo leva ao afogamento ou a tortura do seu pré-estado que, as pessoas que participaram dessas torturas com relação ao interrogado, foram os indivíduos chamados Pereira da DFRBH, Saraiva da DFRBH, José Maria da V, Cecildes da DFRBH, o Delegado Mário Rocha da DFRBH e que estavam presentes o Delegado Lara Rezende e Dr. Luiz Soares da Rocha foi quem autorizou e orientou e estas torturas. (...)"
. Depoimento de Nilo Sérgio Menezes Macedo, auto de qualificação e interrogatório (1969) - Tomo V, vol. 3 A tortura, p. 341: "(...) Os nomes dos que me torturaram na DFRBH (Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte) são: Lara Rezende, Cota, Luiz Soares da Rocha, Romeu Rocha, Saraiva, Márcio Rocha e outros. (...)".*
Nós, militantes das entidades que assinam esta carta, queremos dar um basta a esta estranha mania da institucionalidade de nossa cidade e de nosso país de homenagear aqueles que praticaram crimes contra a humanidade - que são imprescritíveis e inanistiáveis -, concedendo a eles nomes de rua, cargos públicos e promoções.
Propomos, assim, uma mobilização para exigir a mudança do nome desta avenida. Sabemos que a única maneira de fazê-lo é através da pressão e que a decisão cabe às principais vítimas desta absurda inversão de valores: aquele que têm como endereço a iniquidade do nome de um torturador e assassino de presos políticos.
Hoje, simbolicamente, trocaremos as placas da avenida, rebatizando-a provisoriamente, com o nome do preso político JOÃO LUCAS ALVES, em homenagem a este nosso companheiro militante do Comando de Libertação Nacional / COLINA - assassinado sob tortura, em março de 1969, pela equipe de torturadores chefiada por Luiz Soares da Rocha, na Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte.
A nossa luta é pela erradicação da tortura e pelo direito à memória e à justiça como dimensão básica de cidadania. O exercício deste direito só será possível a partir da punição dos torturadores e assassinos de presos políticos durante a ditadura militar e da abertura irrestrita dos arquivos da repressão. Não podemos tolerar que ruas, avenidas, praças, estádios e elevados de nossa cidade ostentem os nomes de ditadores, torturadores e assassinos.
*Estes documentos estão disponíveis em www.torturanuncamais.rj.org.br www.armazemmemoria.com.br; www.prr3.mpf.gov.br que contêm a íntegra do Projeto Brasil Nunca Mais, Arquidiocese de São Paulo, 1985.
Assinam esta carta:
Coletivo Mineiro Popular Anarquista (COMPA), Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (IHG), Juventude do PSTU, Levante Popular da Juventude, Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI), Liga Operária, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento feminino Popular (MFP), Movimento Marxista 5 de Maio (MM5), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

“Militantes de esquerda foram incinerados em usina de açúcar”


Delegado revela em livro que viraram cinzas os corpos de David Capistrano, Ana Rosa Kucinski e outros oito opositores da ditadura
Ele lançou bombas por todo o país e participou, em 1981 no Rio de Janeiro, do atentado contra o show do 1º de Maio no Pavilhão do Riocentro. Esteve envolvido no assassinato de aproximadamente uma centena de pessoas durante a ditadura militar. Trata-se de um delegado capixaba que herdou os subordinados do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury nas forças de resistência violenta à redemocratização do Brasil.
Apesar disso, o nome de Cláudio Guerra nunca esteve em listas de entidades de defesa dos direitos humanos. Mas com o lançamento do livro “Memórias de uma guerra suja”, que acaba de ser editado, esse ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) entrará para a história como um dos principais terroristas de direita que já existiu no País.
Mais do que esse novo personagem, o depoimento recolhido pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, ao longo dos últimos dois anos, traz revelações bombásticas sobre alguns dos acontecimentos mais marcantes das décadas de 70 e 80.
Revelações sobre o próprio caso do Riocentro; o assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em 1982; a morte do delegado Fleury; a aproximação entre o crime organizado e setores militares na luta para manter a repressão; e dos nomes de alguns dos financiadores privados das ações do terrorismo de Estado que se estabeleceu naquele período.
A reportagem do iG teve acesso ao livro, editado pela Topbooks. O relato de Cláudio Guerra é impressionante. Tão detalhado e objetivo que tem tudo para se tornar um dos roteiros de trabalho da Comissão da verdade, criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar (1964-1988).
David Capistrano, Massena, Kucinski e outros incinerados
Cláudio Guerra conta, por exemplo, como incinerou os corpos de dez presos políticos numa usina de açúcar do norte Estado do Rio de Janeiro. Corpos que nunca mais serão encontrados – conforme ele testemunha – de militantes de esquerda que foram torturados barbaramente.


“Em determinado momento da guerra contra os adversários do regime passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Estávamos no final de 1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia resistência interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as mortes.”
Os dez presos incinerados


-- João Batista e Joaquim Pires Cerveira, presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury;


-- Ana Rosa Kucinsk e Wilson Silva, “a mulher apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente, e o jovem não tinha as unhas da mão direita”;


-- David Capistrano (“lhe haviam arrancado a mão direita”) , João Massena Mello, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho, dirigentes históricos do PCB;


-- Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da Ação Popular Marxista Leninista (APML).


O delegado lembrou do ex-vice-governador do Rio de Janeiro Heli Ribeiro, proprietário da usina de açúcar Cambahyba, localizada no município de Campos, a quem ele fornecia armas regularmente para combater os sem-terra da região. Heli Ribeiro, segundo conta, “faria o que fosse preciso para evitar que o comunismo tomasse o poder no Brasil”.


Cláudio Guerra revelou a amizade com o dono da usina para seus superiores: o coronel da cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que trabalhava para o Serviço Nacional de Informações (SNI), e o comandante da Marinha Antônio Vieira, que atuava no Centro de Informações da Marinha (Cenimar).


Afirma que levou, então, os dois comandantes até a fazenda:


“O local foi aprovado. O forno da usina era enorme. Ideal para transformar em cinzas qualquer vestígio humano.”


“A usina passou, em contrapartida, a receber benefícios dos militares pelos bons serviços prestados. Era um período de dificuldade econômica e os usineiros da região estavam pendurados em dívidas. Mas o pessoal da Cambahyba, não. Eles tinham acesso fácil a financiamentos e outros benefícios que o Estado poderia prestar.”

Tales Faria, iG Brasília 02/05/2012 10:15:53 - Atualizada às 02/05/2012 12:27:53